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| FSM 2010 aponta elementos da nova agenda social e provoca a reflexão com temas polêmicos |

29/1/2010 - 18h13m
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O Seminário Internacional “Dez anos depois: desafios e propostas para um outro mundo possível” discutiu em mesas temáticas quais são os elementos da nova agenda do Fórum Social Mundial (FSM) após o movimento completar uma década de existência. O FSM 2010 da Grande Porto Alegre contou com cerca de 35 mil participantes em 915 atividades (conferências, seminários e oficinas), sendo 15,1% estrangeiros de um total de 39 países. Além destes, 112 músicos (nacionais e internacionais) e 250 jornalistas credenciados – de 15 países. Detalhando o perfil dos participantes: 59,3% de inscritos mulheres, 40,7% de inscritos homens; 34% com renda inferior a U$ 500 e 12% com renda acima de U$ 2.500. Leia um resumo de cada discussão sobre elementos da nova agenda social mundial, divulgado pelo blog oficial do evento.
Mesa “Elementos da nova agenda I: Bem viver”
27.01.2010
Participantes: Anibal Quijano – Universidade de San Marcos (Peru); Marco Deriu – Universidade de Parma (Italia); Mercia Andrews – Trust for Community Outreach and Education (Africa do Sul); Zraih AbderKadel – Forum des Alternatives Maroc (Marrocos); Ana Maria Prestes – OCLAE (Brasil); Segundo Churuchumbi – ECUARUNARI (Peru).
“As falas foram taxativas. Para a construção de um outro modelo de sociedade, a noção de bem-viver deve deixar de se basear no padrão de consumo, passando a tomar como referência a capacidade de felicidade, solidariedade e coletivismo.”
Leia todo o resumo: “Elementos da nova agenda I: Bem viver”.
Mesa “Elementos da nova agenda I: Sustentabilidade”
27.01.2010
Participantes: Henderson Rengifo (Associação Internacional pelo Desenvolvimento da Selva Peruana – AIDESEP, Peru); Fátima Mello – FASE (Brasil), Rosa Chavez – Convergencia Waqib’ Kej (Guatemala); Indra Lubis – Via Campesina (Tailandia), Maria Pia Matta Cerna – AMARC (Chile); Antônio Barbosa – ASA (Brasil) e Luis Arnaldo Campos – Forum Panamazônico.
“Sustentabilidade é um termo vago, que hoje em dia é usado para diversos fins e interesses. É preciso significar a sustentabilidade e afirmá-la como um contraponto ao modelo de desenvolvimento em curso. Foram propostas agendas de luta e elencados desafios para o processo FSM num novo ciclo que se inicia, tendo como questão central as relações humanas e dos seres humanos com a natureza.”
“Para nós, sustentabilidade significa a luta contra a mercantilização dos bens comuns, da natureza, da água, da terra, da cultura, do conhecimento”, afirma Fatima Mello, da Fase.”
“A dimensão cultural e comunicacional reforça que a tarefa é grande, pois diz respeito à desconstrução de uma lógica, uma dinâmica societária.”
“Precisamos nos contrapor à visão capitalista do viver bem: antropocêntrica, predatória, acumulativa, que vê a mãe terra como um recurso a ser explorado. Nosso inimigo não é a terra e seus terremotos, enchentes, secas e “tragédias naturais”. Nosso inimigo é este modo de produção que a explora. Devemos nos relacionar com a Terra como um dos elementos do cosmos. Os princípios do bem viver seriam: convivência, harmonia, complementaridade e reciprocidade. O direito à vida é o direito à terra”, explica Rosa Chavez, da Convergencia Waqib’ Kej (Guatemala).”
“Indra Lubis, da Via Campesina (Indonésia) afirma que um tema candente é a soberania alimentar. “Não vivemos uma crise de comida. Vivemos submetidos a um Sistema Global de Comida, que controla a produção. A produção e circulação de alimentos está nas mãos de multinacionais, que, além de lotear o mundo em monoculturas, controlam os estoques para controlar os preços dos alimentos e criam crises de falta que não existem de fato. Estas empresas estão no topo da pirâmide do sistema capitalista”.
Leia todo o resumo “Elementos da nova agenda I: Sustentabilidade”.
Mesa “Elementos da nova agenda I: Economia e gratuidade”
27.01.2010
Participantes: Patrick Viveret – Centro Internacional Pierre Mendes (França); Lilian Celiberti – Articulación Feminista Marcosur (Uruguai); Ladislaw Dowbor – IPF/PUC-SP; Nila Heredia – ALAMES (Bolívia); Daniel Pascual – CUC-Guatemala; João Joaquim de Melo Neto Segundo – Banco Palmas (Brasil)
“A boliviana Nila Heredia, presidente da Alames (Associação Latino-America de Medicina Social), fez uma análise sobre o tema da mesa a partir de uma perspectiva sobre a saúde. Segundo ela, estabeleceu-se um senso comum na civilização ocidental segundo o qual, se uma pessoa adoece, isso é um problema privado. “Isso nos leva a supor que as pessoas têm culpa, por não terem se cuidado”.
“Portanto, para ela, ao limitar a questão da saúde às doenças, o sistema capitalista gerou tanto um sentimento de culpa nas pessoas como a ideia de que a saúde pessoal depende de cada um, e não do Estado. “Para nós, a saúde tem como objetivo fazer com que as pessoas não adoeçam, o que contraria as lógicas econômicas interessadas que existam doentes, pois isso é negócio”, disse.”
“João Joaquim de Melo Neto Segundo, fundador do Banco comunitário Palmas, na periferia de Fortaleza, apresentou a experiência ao público presente. Ele contou que diversas comunidades tradicionais e consideradas pobres de todo o Brasil estão excluídas do sistema bancário e financeiro por não oferecem boas expectativas de lucro. Daí a necessidade de se criar bancos comunitários sob princípios distintos. “Entendemos que economia e solidariedade tem tudo a ver”, disse.”
“De acordo com ele, no Conjunto Palmeira, comunidade da periferia de Fortaleza onde vive, já funciona um sistema financeiro paralelo (inclusive com moeda própria) baseado na solidariedade. “Banco comunitário é um serviço financeiro, solidário, em rede, de natureza associativa e comunitária, voltado para a reorganização das economias locais na perspectiva da geração de trabalho e renda”, resumiu. Nesse sentido, o objetivo é equilibrar a produção em um determinado território sem estimular a concorrência.”
Leia todo o resumo “Elementos da nova agenda I: Economia e gratuidade”.
Mesa “Elementos da nova agenda I: Bens comuns”
27.01.2010
Participantes: Silke Helfrich – Fundação Heinrich Boell (Alemanha); Pat Mooney – ETC (Canadá); Camila Moreno – Terra de Direitos (Brasil); Carlos Candiotti – Conacami (Brasil); Vita Giovanna Randazzo Eisemann – Artistas de Frente de Resistência (Honduras)
“A discussão sobre “Bens Comuns” começou com uma retomada didática dos conceitos; avançou para temas científicos complexos e urgentes como biologia sintética, geoengenharia e transgênicos; passou pelas ameaças das grandes mineradoras no Peru e pelo movimento de Resistência em Honduras. Incluíram questões ligadas às mudanças climáticas, o direito à água e à terra, e software livre, entre outros aspectos. Foram permeadas de sugestões e recomendações de apropriação dos bens comuns.”
“De forma didática, Silke Helfrich explicou que o principio dos bens comuns “é uso sim, abuso não”. Embora estejam em toda parte, os bens comuns muitas vezes parecem invisíveis porque são naturais, sociais e culturais ou conhecimento. “A grande tragédia dos bens comuns é que só tomamos consciência dele quando começam a desaparecer”, disse Silke, citando o pensador Garret Hardin. A proposta de Silke para a construção de um outro mundo é a adoção de um modo de produção baseado em bens comuns, que vise o bem viver de todo mundo, e não apenas o lucro individual, como já fazem os zapatistas.
“Pat Mooney alertou para as necessidades dos movimentos sociais de se anteciparem às grandes questões que já estão sendo discutidas pelas grandes corporações e que, num futuro bem próximo, terão grandes impactos ambientais e sociais. São falsas soluções tecnológicas para grandes dilemas como a fome no mundo e as mudanças climáticas que, na prática, só resultam em mais acúmulo de capitais, desigualdade social, e destruição ambiental. Ele lembrou o caso dos transgênicos: “Só fomos entender o que são os transgênicos e quais os seus impactos quando eles já estavam no campo e aí a luta é mais difícil”, disse. A biologia sintética e a geoengenharia devem percorrer o mesmo cominho dos transgênicos. Enquanto os transgênicos foram apresentados para a sociedade como a grande solução para a fome do mundo, a biologia sintética e a geoengenharia estão sendo apresentadas como a solução para o aquecimento global. “O problema da fome não foi solucionado, assim como não será o do clima”, disse.
“Essa soluções de combate ao aquecimento global são verdadeiras parafernálias, como a fertilização artificial dos oceanos com a pulverização de limalha de ferro – o que, obviamente, já se mostrou ineficiente. Patt alerta que o mercado brasileiro já está na mira das grandes corporações, que já estão usando a geoengenharia na produção de biocombustíveis a partir da cana-de-açúcar. O próximo passo será a Floresta Amazônica.”
“Para as grandes corporações, diz Patt, a Conferência do Clima em Copenhague foi um sucesso. As empresas vão continuar operando da forma atual e ainda terão um novo mercado para explorar. O futuro da humanidade, no entanto, está nas mãos dos pequenos produtores que trabalham com a diversidade de espécies fundamentais para garantir comida para humanidade.”
“Vita Giovanna Randazzo Eisemann também falou sobre essa hegemonia de pensamento, fruto de uma comunicação que trabalha para que o pensamento da classe dominante seja aceito como o “normal”. “Se temos sede, compramos uma garrafinha de água, um bem comum, e achamos que isso é natural”, disse.”
“Carlos Candiotti trouxe, do Peru, o exemplo concreto de apropriação dos bens comuns pelas mais de 20 mineradoras transnacionais que operam no país. Em algumas regiões chegam a dominar 88,9% das terras. Isso com a benção do Estado, que além de oferecer todas as facilidades paras mineradoras, por meio de um decreto legislativo permite que a polícia mate aqueles que protestarem por seus direitos. Hoje, mais de 600 pessoas que lutam pelos direitos indígenas, incluindo Carlos, estão sendo processados.”
Leia todo o resumo “Elementos da nova agenda I: Bens comuns”.
Mesa “Elementos da nova agenda II: Direitos e Responsabilidades Coletivas”
28.01.2010
Participantes: Carles Riera – CIEMEN (Catalunha); Alberto Achito Lubiasa – Organización Nacional Indígena de Colombia, ONIC (Colômbia); Maria Betânia Ávila – Articulação de Mulheres Brasileiras (Brasil); Irene Khan – Anistia Internacional (Bangladesh); Kamal Lahbib – Forum des Alternatives Maroc (Marrocos); Marcos Terena – Memorial dos Povos Indígenas/Cátedra Índígena Internacional (Brasil)
A principal inquietação dos palestrantes da mesa “Direitos e responsabilidades coletivos”, no penúltimo dia do Fórum (28/1), foi a elaboração de um modelo desvinculado dos padrões hegemônicos de direitos e deveres. A sensação predominante é de que houve, no mundo, consensos forjados da ideia de direito, estruturados em padrões eurocêntricos, centrados na visão liberal de liberdade individual.
Leia todo o resumo “Elementos da nova agenda II: Direitos e Responsabilidades Coletivas”.
Mesa “Elementos da nova agenda II: Organização do Estado e do Poder Político”
28.01.2010
Participantes: Pablo Sólon – Aliança Social Continental (Bolívia); Njoki Njoroge Njehu – Daughters of Mumbi Global Resource Center / Africa Jubilee South (Quenia); Prabir Purkayastha – All India Peace and Solidarity Organisation (India); João Pedro Stédile – MST (Brasil); Nancy Neamtan – Chantier de l’Economie Sociale (Canadá); Giampiero Rasimelli – Euralat (Itália)
A primeira debatedora, Nancy Neamtan, da organização Chantier de l’Economie Sociale, do Canadá, começou sua fala celebrando o fato de que, de dez anos para cá, os movimentos que frequentam o Fórum Social Mundial partiram de uma postura de oposição ao modelo vigente para uma de proposição de alternativas. Segundo ela, hoje, existem novas formas de organizações, que cultivam os valores de solidariedade com o respeito ao ecossistema e ao planeta. Mesmo assim, ela alertou para os inúmeros e complexos desafios pela frente, como o estabelecimento de novas formas de comércio e de condições de trabalho. Nesse sentido, Nancy apontou a economia solidária como um dos instrumentos para se transformar a sociedade a partir da democratização da economia.
Segundo ela, atualmente, até mesmo em países da Europa ou da América do Norte, onde as instituições democráticas são mais consolidadas, a participação popular na tomada de decisões está em declínio: “as pessoas estão tendo a impressão de que o voto não muda nada”, disse. Por isso, para Nancy, “é preciso redefinir o sentido de democracia”, ou seja, garantir que seu exercício seja mais participativo.
“É triste ver que em países onde as instituições democráticas funcionam bem, a desigualdade social vem aumentando. A fonte dessa realidade reside na concentração do poder econômico”, alertou ela, para quem o caminho para o socialismo deve vincular o exercício do poder político com o exercício do econômico. A economia solidária seria uma das formas de se alcançar esse objetivo. “Qualquer poder político será frágil se não tiver o poder econômico na sua base”, concluiu.
O indiano Prabir Purkayastha, da organização All India Peace and Solidarity Organization, instroduziu sua fala afirmando que existe hoje no mundo dois tipos de crise: a econômica e a política: “Talvez com a exceção da América Latina, no resto do mundo, a esquerda não está avançando. Como podemos levar adiante um projeto pró-pessoas, vantajoso para todos? Como configurar o poder do Estado de forma diferente? Temos que redescobrir uma alternativa socialista. Que tipo de organização da economia e das instituições políticas queremos? A economia solidária pode ser parte da resposta”, disse.
Já a queniana Njoki Njoroge Njehu, das redes Daughters of Mumbi Global Resource Center e Africa Jubilee South, afirmou que o Estado hoje vigente não é capaz de responder às necessidades da população. Como exemplo, citou a falta de estrutura para se mitigar os efeitos do terremoto no Haiti. “No caso do Haiti, vimos que as únicas entidades que os governos têm para responder às crises fazem parte do domínio militar. Só mandam soldados aos povos que estão sofrendo. Os militares, mesmo que estejam distribuindo água ou alimentos com uma mão, têm uma arma na outra. Com isso, que mensagem estamos enviando?”.
Ao final de sua exposição, Njoki evocou a memória de Dennis Brutus, ativista anti-apartheid que morreu em 26 de dezembro de 2009. De acordo com ela, a campanha bem-sucedida estimulada por ele para que a África do Sul fosse expulsa das Olimpíadas, lhe representou uma lição: “cada um de nós podemos pegar um pedacinho da luta global. Mas estou falando de movimentos, de redes de pessoas. Temos que educar as pessoas para elas se organizarem”.
Leia todo o resumo “Elementos da nova agenda II: Organização do Estado e do Poder Político”.
Mesa “Elementos da nova agenda II: Novo Ordenamento Mundial”
28.01.2010
Participantes: Patrick Bond – University of Kwa Zulu-Natal School of Development Studies (Africa do Sul); Taoufik Ben Abdallah – ENDA (Senegal); Antônio Martins – ATTAC (Brasil); Socorro Gomes – CEBRAPAZ (Brasil); Eric Toussaint – CADTM (Belgica); Teivo Teivainen – NIGD (Finlandia)
A mesa sobre nova ordem mundial, realizada dia 28, traduziu a complexidade e a novidade do tema. Quais os principais desafios e agendas pós-crise? Qual o papel dos países emergentes, em especial o BRIC (Brasil, Russia, Índia, China)? As instâncias políticas e a organização do mundo globalizado darão conta dos desafios que se colocam no cenário?
Socorro Gomes, do Cebrapaz (Brasil) afirma que “para disputar a construção desta nova hegemonia, temos que aproveitar que está na ordem do dia a necessidade de um projeto alternativo de sociedade”. Taoufik Ben Abdallah (ENDA, Senegal) afirma que entre estas agendas estão a questão do trabalho, a nova configuração do saber e a emergência das novas potências mundiais e que este cenário traz novos desafios relativos ao uso dos recursos naturais e a novas exclusões.
Eric Toussaint, do Comitê pela Anulação da Dívida (Bélgica) fez uma colocação que gerou polêmica. Para ele, além de a crise não ter fragilizado o poderio norte-americano, ele está sendo reforçado por atitudes imperialistas dos países do BRIC. “Podemos afirmar que o modo como o Brasil está presente na Bolívia, no Peru, no Equador é um tipo de imperialismo periférico, a reprodução da lógica imperialista em escala regional”. Estes países, segundo Toussant, estão, em processos internacionais importantes e centrais, como foi a COP-15, pactuando com uma política imperialista e transformando seus países e regiões em zonas de reprodução desta lógica.
Toussaint afirma que, para se contrapor a estas lógicas, os países deveriam, em lugar de reproduzir a dinâmica imperialista em escalas regionais, adotar posturas soberanas unilaterais e promover mobilizações de massa, como grandes greves internacionais, marchas, desobediências. “Por que não fazer auditoria da dívida, como fez o Equador? Por que não nacionalizar o petróleo o gás, como fez a Bolívia? Por que mandar tropas para o Haiti?”, questiona. Uma das agendas centrais para a região segundo ele é o Banco do Sul. “Seria um banco dos países da América Latina para financiar reforma agrária, soberania alimentar, industria farmacêutica de genéricos. Um instrumento de implementação de outro modelo para a região e não para comprar bônus do tesouro americano, como os países fazem hoje em dia, ajudando a sustentar o poderio do EUA”.
Socorro afirma que enquadrar o Brasil entre imperialistas é desviar o debate e desfocar a crítica e que devemos reconhecer o papel dos governos de esquerda da América Latina na construção de uma contra-hegemonia e uma rede de solidariedade. Ben Abdallah apoia Socorro e diz que, se considerarmos a definição de imperialismo como “a confiscação do potencial e do futuro dos povos em favor de uma potência por dominação econômica, política ou militar”, os países do BRIC não são imperialistas, mas sim exercem políticas internacionais ou regionais que nos colocam novos desafios, mas não podem ser chamadas de imperialistas. Já Bond concorda com Toussaint e diz que precisamos olhar para as ações dos países emergentes, pois elas traduzem novas formas de imperialismo.
Leia todo o resumo “Elementos da nova agenda II: Novo Ordenamento Mundial”.
Mesa “Elementos da nova agenda II: Como Construir uma Hegemonia Política”
28.01.2010
Participantes: Boaventura dos Santos – Universidade de Coimbra (Portugal); Virginia Vargas – Articulación Feminista Marcosur (Peru); Amit Sengupta – People Heath Movement (Índia); Christophe Aguiton – Marches Européennes Contre le Chômage (França); Rosane Bertotti – CUT (Brasil)
Os participantes da mesa “Como Construir uma Hegemonia” foram unânimes em avaliar que um novo socialismo está sendo desenhado pelos movimentos sociais. A construção da nova hegemonia política depende da diversidade. E esse foi o grande salto dessa discussão nos últimos anos. Se as primeiras a luta pela implementação de uma sociedade socialista vinha a reboque do proletariado organizado, o socialismo do século 21 se dará pelo esforço daqueles que lutam pelos direitos dos povos indígenas, pelo fim do sexismo, contra o preconceito racial, pelo direitos humanos, pela apropriação dos meios de comunicação e de todos os demais movimentos sociais.
Rosane Bertotti levou para o debate o desafio da comunicação de disseminar essas questões para os diferentes públicos. “O Fórum, por exemplo, é invisível para a grande imprensa, que não consegue entender esse espaço”, disse. Além disso, as pautas de discussão não estão nos meios de comunicação. “Precisamos intervir [para democratizar os meios de comunicação], mas também precisamos ousar e construir meios de comunicação que olhem para outra realidade econômica”.
O problema, no entanto, é que as organizações não investem e não vêem a comunicação como uma ferramenta estratégica. “Nós só vamos fazer a história quando pudermos contar a nossa história”, disse Rosane.
Boaventura dos Santos, da Universidade de Coimbra, Portugal, chamou a atenção para a urgência da transformação. “Devíamos mudar o nome do Fórum para um outro mundo é urgente e necessário”, disse explicando que esse modelo de produção e consumo não é mais apenas injusto, é também insustentável. As crise ambiental, lembrou, atingirá tanto Bangladesh como a Holanda.
A platéia aplaudiu em pé quando ao término de sua apresentação disse: “Não queremos críticos bem formados, queremos criar rebeldes competentes.”
Leia todo o resumo “Elementos da nova agenda II: Como Construir uma Hegemonia Política”. |
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